domingo, 5 de outubro de 2014

Postagem nº1

O conceito de  droga não é algo muito bem delimitado e muda dependendo do enfoque do discurso. Drogas são consideradas como substâncias  que alteram processos bioquímicos ou fisiológicos no corpo de um organismo quando o enfoque é mais farmacológico. No sentido mais empregado, no entanto, o termo droga se refere a substâncias psicoativas, que provocam alteração da consciência do usuário da substância. O objetivo do blog é discorrer, durante o semestre, sobre o tema : "Drogas lícitas e ilícitas, a bioquímica explica"; o sentido para o termo droga utilizado aqui será o segundo, uma vez que a fronteira entre licitude e a ilicitude de uma droga é muito mais tênue quando se tratam de drogas psicoativas, uma vez que suas consequências na consciência humana não podem ser medidas de modo preciso. Serão adicionadas à definição de droga por esse blog, substâncias que causam dependência química/psicológica nos usuários.
As drogas com efeito psicoativo( drogas psicotrópicas) são as que agem no Sistema Nervoso Central e podem mudar o humor, comportamento e a percepção. Esse tipo de droga pode ser dividido nos seguintes tipos:
Depressoras, que diminuem a atividade do sistema nervoso central, deixando-o mais lento, geralmente agindo sobre neurotransmissores como o ácido gama-aminobutírico( GABA), principal neurotransmissor inibidor das sinapses, regulando a excitabilidade neuronal.

230  Acido gama-aminobutírico


Psicodistrópicas, que agem de modo a causar efeitos de despersonalização e perda de percepção( alucinógenos)

Psicolépticas, que  são estimulantes,  mantêm mais sentidos ativados e aumentam a percepção.

Muitas dessas drogas são ilícitas por induzirem os usuários a estados de consciência pelos quais não podem responder, podendo fazê-los agir de modo a infringir a lei ao terem seu senso de julgamento e noção das consequências de seus atos alteradas. Outro motivo para a proibição de algumas drogas é o surgimento de dependência.
A dependência no uso de drogas pode ser de dois tipos:
Dependência psíquica, em que a dependência da droga se dá pela busca de seus efeitos iniciais, que geralmente são de prazer, relaxamento ou alguma sensação boa. O que causa a dependência psíquica são razões de ordem cognitiva. A abstinência de drogas que causam dependência psíquica gera ansiedade e sentimento de vazio.
Dependência física, estado de dependência baseado na adaptação do corpo à presença da droga, de modo, que o funcionamento do corpo, regulado para a presença da droga, funciona mal quando em sua ausência, caracterizando uma síndrome de abstinência, fenômeno que será detalhado em postagens posteriores.
Ambos os tipos de dependência configura drogadição ou toxicodependência.
É importante notar, no entanto, que a proibição de uma droga não se baseia somente em suas características intrínsecas, mas também na sua forma de uso. Opiáceos, por exemplo, são substâncias altamente usadas no tratamento de dores, e possuem algumas variedades legalizadas. O seu uso indiscriminado, no entanto, pode causar efeitos devastadores, como ocorre com a heroína.
A proibição de certas drogas é um tema polêmico que levanta diversos pontos de vista, que envolvem aspectos culturais, econômicos, biológicos sociais  e políticos. Em uma discussão tão complexa, a bioquímica pode dar uma mãozinha para entender ao menos as bases biológicas e, por conseguinte, formar uma opinião sobre o assunto. Quanto ao resto... ah, aí já é outro blog.

9 comentários:

  1. Existe uma linha muito tênue entre o que é considerado uma droga lícita e uma droga ilícita. Muitas vezes o preconceito e o estigma determinam isso. Um exemplo disso é o canabidiol, uma substância encontrada na maconha (Cannabis sativa) e utilizada para tratamento de algumas doenças de ordem neurológica, com é o caso da epilepsia. É uma substância que compõe apenas 1% do "total" da planta, e, de acordo com as pesquisas, não causa nenhum efeito alucinógeno ou semelhante ao uso da planta como já é fixado na mente dos indivíduos. Entretanto, como vem de uma planta considerada droga ilícita no Brasil e em vários países, as pesquisas quanto ao aperfeiçoamento desse medicamento sofrem uma frenagem considerável. Seu comércio é proibido em vários países, e isso retira das pessoas com sofrem esses problemas neurológicos mais uma esperança de tratamento e, porque não, cura. Outra questão peculiar é a comparação entre o tabaco e a maconha. Pesquisas mostram que fumar tabaco causa mais prejuízo para os pulmões do que a maconha, não pelo conteúdo da fumaça em si, mas pelo comportamento adotado pelo usuário. Nem maconha e nem tabaco são "benéficos" para o organismo, mas isso é um dos exemplos que mostra como os paradigmas adotados pela sociedade atual necessitam ser revistos.

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  2. É importante dar ênfase à esse tipo de drogas, as ilícitas, mostrando o quanto elas causam dependência psíquica. Os motivos pelos quais adolescentes procuram consumir drogas de dependências psíquicas são os mais diversos. Pode variar desde influência social a até mesmo o uso para otimizar os estudos. Entretanto, vale lembrar que além das drogas ilícitas existem várias outras lícitas que permeiam a sociedade na qual vivemos. No Brasil, inquéritos epidemiológicos têm sido realizados com objetivo de estudar as prevalências de uso de drogas. Além do álcool e do fumo, os indicadores disponíveis apontam para uma prevalência de uso de dois grupos de drogas dos quais pouco se fala nos países industrializados: os solventes e os medicamentos.

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    1. Fonte:

      http://www.scielo.br/pdf/rsp/v35n2/4399.pdf

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  3. Drogas, em geral, são substâncias que dão trabalho para o nosso fígado em metabolizá-las, pois, se ficarem por muito tempo na corrente sanguínea poderiam causar danos irreversíveis para o sistema nervoso central, que é o local onde essas substâncias atuam. Nesse aspecto o conhecimento bioquímico a respeito da funcionalidade do fígado torna-se muito importante para entender e combater a ação dessas substâncias chamadas drogas. No Brasil, algumas décadas atrás, o cigarro era bastante popular, mas hoje já está em desuso. Da mesma forma o álcool hoje pode ser bastante popular, mas graças a programas para desestimular o seu uso, como por exemplo a Lei Seca, provavelmente no futuro ele terá seu uso bem reduzido. Dessa forma, a classificação de drogas como lícitas (no caso o álcool e o cigarro) não implica diretamente que essa droga é de uso popular. Na verdade, acredito que quando se classifica uma droga como ilícita, é possível que seu uso e tráfico aumente, pois a justificativa de muitos para o uso das ilícitas geralmente está apoiada num contexto social de revolução.

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  4. É interessante ressaltar a crueldade da sociedade capitalista quando se trata de drogas lícitas e ilícitas. Em uma visita que eu mesmo fiz ao bairro Santa Maria em Teresina, Piauí, a agente de saúde que estava me acompanhando deixou bem claro que o principal problema da comunidade em relação a drogas estava no alcool. Assim, podemos refletir sobre o assunto e nos perguntar: Uma droga tão perigosa e tão destrutiva como o alcool é legalizada e de muito fácil acesso a jovens menores de 18 anos. Há alguem lucrando com essa industria? Não seria sensato uma nova política de controle ou de definição do que é lícito ou ilícito?

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  5. Como foi dito na postagem, a linha entre drogas lícitas e ilícitas é muito tênue. Isso é perceptível pelo fato de remédios analgésicos estarem cada vez mais sendo utilizados pela população em geral, chegando a causar, até mesmo, overdose com o uso dos remédios chamados narcóticos. Essa uso exagerado é comum no Brasil através, principalmente, dos remedios +ara dor de cabeça vendidos sem prescrição médica e que, com o uso exagerado, podem causar cefaleia de rebote. Mesmo assim, qual o posicionamento das empresas farmacêuticas nesse contexto? E os profissionais da saúde que são patrocinados pelas mesmas?
    http://www.topmed.com.br/comunicacao/noticias-da-rede/remedios-para-dor-podem-causar-graves-efeitos-colaterais-inclusive-dependencia/

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  6. As drogas ilícitas, por atrair mais atenção, acabam por encobrir os perigos das drogas lícitas. O álcool, por exemplo, causa dependência, além de lesionar o fígado seriamente. O cigarro aumenta as chances de vários tipos de câncer, causa dependência, pode causar impotência sexual e também agride aos que estão por perto. O número de jovens com problemas alcoólicos é cada vez maior, mas as pessoas parecem focar apenas nas drogas ilícitas. "Leva mais ou menos uma hora para o fígado metabolizar um copo de vinho e não há nada que se possa fazer para acelerar esse processo. Então, se a pessoa tomou dez copos de vinho, vai ficar com álcool no sangue por pelo menos dez horas."
    Fonte: http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/acao-e-efeitos-do-

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  7. É importante ressaltar que a diferenciação entre os tipos de dependência entre psíquica e física é demasiadamente subjetiva. Afinal, como citado, a dependência física se configura a partir do "mal funcionamento" do corpo na ausência da substância. A dependência psíquica, por sua vez, gera consequências de ordem cognitiva. Entretanto, essas consequências são fruto do "mal funcionamento" de certas áreas do encéfalo, como o sistema límbico por exemplo. Uma não deixa, portanto, de estar incluída na outra.

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  8. As drogas psicoativas são substâncias naturais ou sintéticas que ao serem penetradas no organismo humano, independente da forma (ingerida, injetada, inalada ou absorvida pela pele), entram na corrente sanguínea e atingem o cérebro, alterando todo seu equilíbrio, podendo levar o usuário a reações agressivas. Pesquisas recentes apontam que os principais motivos que levam um indivíduo a utilizar drogas são: curiosidade, influência de amigos (mais comum), vontade, desejo de fuga (principalmente de problemas familiares), coragem (para tomar uma atitude que sem o uso de tais substâncias não tomaria), dificuldade em enfrentar e/ou aguentar situações difíceis, hábito, dependência (comum), rituais, busca por sensações de prazer, tornar (-se) calmo, servir de estimulantes, facilidades de acesso e obtenção.É necessário que esse conhecimento seja espalhado, para evitar o número de pessoas que se perdem nesse mundo.

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